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foto animal | HIPOPÓTAMO PIGMEU | animais selvagens – Rosinha
28th Jul 2010Posted in: Blog, Hipopótamos, Hipopótamo_Pigmeu, Portfolio 1

foto animal | HIPOPÓTAMO PIGMEU | animais selvagens – Rosinha

Animais Fotos – Cria de Hipopótamo Pigmeu em Cativeiro – Chamo-lhe Rosinha.

Mais uma história de sucesso para a Preservação|Conservação das espécies. Já é mais que aparente e não constitui, ou não deve constituir qualquer surpresa, o nascimento de mais uma cria de hipopótamo em ambiente de cativeiro. O facto traduz uma realidade de empenho e dedicação, de cuidados contínuos, de investigação, de melhoramento das condições dos animais e da recriação de habitats o mais próximo possível dos seus lugares de origem. O resultado final é evidente para quem visita estas instituições e tem o privilégio de ver a natureza a acontecer. O comportamento animal altera-se de tal forma que a procriação|nidificação|reprodução, acontece de forma natural e como consequência do bem estar sentido.
Embora compreenda agora que o tom rosado da pele dos hipopótamos reflecte uma defesa natural ao sol, em resposta a uma exposição prologada, não pude deixar de estabelecer o paralelo entre a cor e tenra idade de tão simpática criatura. O baptismo aconteceu logo ali: -Rosinha! Pequena, pequenina, roliça, redondinha, de olhar meigo, a promete derreter o coração mais empedernido.

Numa manhã de verão bem passada, a prometer horas de banhos prolongados debaixo de um sol tórrido de verão, mãe e cria (hipopótamo), inseparáveis, trocavam ternuras de levar às lágrimas e tornavam a fotografia de vida selvagem num livro de belas ilustrações do mundo animal.

Jardim Zoológico de Lisboa [Portugal].
08:30
Bolas! Cheguei cedo demais. Os avisos são bem claros: abre às 10:00. Rodopiei e sentei-me à beira da gigantesca gaiola. As aves exóticas à entrada permitem uma espera menos penosa. Ainda bem que assim foi. Pude contemplar a brincadeira dos pardais, que pilhavam por entre as frestas, a fruta fresca (alguns chamam-lhe kunami) que ali havia sido deixada pelas crianças no dia anterior. Àquela hora, já se sente a azafama no ar. A correria própria da preparação de um grande evento, fazia adivinhar um dia em cheio. Por momentos perdi-me a imaginar, tratadores, animadores e apresentadores a preparar os animais para a grande festa:
(…)
O chimpanzé, vestido a rigor; Fato e gravata, tinha à sua volta duas meninas a finalizar as unhas. Os miúdos brincavam à sua volta e ameaçavam estragar a pintura… O leão, de fio dental em riste, preparava-se para os grandes rugidos da manhã. Queria estar no seu melhor e contava com as leoas para que assim fosse. Cada uma delas lavava-lhe copiosamente o pêlo, da cabeça aos pés. A afinar a garganta, o macaco uivador, já se fazia ouvir por toda a parte. Aqueles uivos faziam tremer folhas e ramos e até nos fazia estremecer por dentro. Qual Pavarotti!… Um ou outro pavão, ajeitava as penas, penteadas pelos mais finos pentes da Pentagónia. De pincel em punho, enquanto um dos tratadores procurava deixar aquela plumagem digna de uma estrela de cinema, o outro, procurava a cor certa na mistura de todas as cores do arco-íris. Assim foi um durante algumas horas até que a pouco e pouco se começaram a ver os polegares espetados para o céu, num claro sinal de que tudo estaria pronto. De que tudo estaria no seu devido lugar. O gesto propagava-se, rápida e vertiginosamente, de recinto em recinto, de animal para animal, de forma quase contagiante e numa fracção de segundos chegou às portas do zoo, extravasando mesmo aquelas fronteiras.
(…)
Imerso nos sons, cheiros e sonhos que ali vivia, nem me apercebi que a bilheteira já tinha aberto e uma fila imensa de “gente” já se acotovelava e pisava para chegar primeiro. Não me apercebi da corrida!? Nem ouvi o tiro de partida… Mas esse é um síndrome ao qual sou estranho. Ainda que não deixe de me causar alguma apreensão (fica para outras divagações).  Adiante…
As portas abriram-se e em passo lento, devagar, de mansinho, fui absorvendo todo aquele clima da manhã. De olhos bem fechados procurava aguçar os sentidos, para puder entrar naquele lugar mágico. Era como se existisse uma chave secreta para um outro universo a que alguns gostam de chamar de paralelo e que está povoado de criaturas encantadas e belas. Procurava, com alguma esperança, o Buraco de Verme. Coincidência ou não, no momento em que decidi abrir os olhos, ainda me foi possível vislumbrar o polegar da preguiça erguido, lá bem no alto. É compreensível, leva mais tempo. Vai mais devagar. Mas não ficou por aí. A troca de olhares entre a chita a gazela, foi bem comprometedora. Bem como a forma esquiva como o canguru procurava esconder uma bela maçã verde na bolsa marsupial. Poderia até jurar que havia vistos as bandejas de prata nas quais foi servido o pequeno almoço ao rei da selva, ser ligeira, discreta e silenciosamente retirada do recinto por dois ursos pardos que vivem bem lá nos fundos. Lá do outro lado. Para lá dos babuínos. E isso já é tão longe que fica para lá de toda a imaginação [a 50m do café que fica junto ao recinto dos tigres branco. Como quem caminha em direcção à escadaria (mas segue em frente) onde acontece do show das aves].
Depois de algum tempo a deambular por entre animais, sem rumo certo e de mãos dependuradas, deparei-me com uma das mais belas e curiosas criaturas que a natureza já produziu. Depois de ter visto bem de perto os hipopótamos (os outros), somos tentamos em acreditar que quem já viu um já os viu a todos. Mas esta máxima não poderia estar mais longe da verdade. Estes, os hipopótamos pigmeu, parecem pequenos brinquedos. Miniaturas perfeitas daqueles outros que outrora vira, lá para os lados dos flamingos[A].
[A] Uma outra história de sucesso. Para um futuro post. “Num pequeno lamaçal recentemente criado, eles estão a nidificar e já têm crias!!!”
Rosinha – o pequeno Hipopótamo Pigmeu – Um encontro inesperado e surpreendente com a vida animal selvagem -

A Rosinha sempre debaixo das saias da mãe, espreitava de forma tímida, mas decidida, tentando compreender quem era aquela criatura estranha de nariz branco, grande e comprido. Imagino que seja esta a visão de quem, com olhos de criança, vê outrem com uma máquina fotográfica com objectiva da pesada (Bastante pesada, por sinal. – um exagero). Depois de algum tempo de espera e de alguma intranquilidade da mãe hipopótamo, lá se foram habitando à ideia de estar por ali um paparazi. Sem não, nem porquê, em pouco tempo passei a fazer parte da família. Por mais voltas que desse, num abrir e piscar de olhos lá estavam as duas numa proximidade e intimidade, em outros tempos muito invejável. Rapidamente se começou a assemelhar a uma brincadeira de criança. Escondia-me e no momento em que reaparecia, lá estava a Rosinha a espreitar e a sorrir para a câmara. Esse é um dos momentos resolvi trazer aqui ao site e partilhar de imediato. Brinquei. Fotografei. Guardei belas imagens de vida animal. Em breve irei popular o portfolio e galeria com as mais belas fotos tiradas nesse dia. A grande estrela? Rosinha. Um hipopótamo bebé que agora encanta pequenos e graúdos e que não faz adivinhar que em África é um dos primeiros motivos de morte por ataques de animais selvagens (se não o primeiro da lista…). São animais que amamos, quantas vezes os adoramos e até veneramos, mas que são, por definição, selvagens. Toda a personificação faz parte de um imaginário colectivo do tempo em que os animais falavam. Este mundo animal enriquece-nos e faz-nos sonhar, mas o seu espaço próprio só a si lhe pertence e deve ser respeitado.

[23:59 – ao tocar da décima segunda badalada, qual Cinderela, quase perdia o sapatinho de 28Julho2010- uma por dia, durante 365 dias]

MAIS FOTOS- Portfolio dos Hipopótamos Pigmeu

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AlfonsoPaz,
Fotografia Animal e a Preservação\Conservação da Natureza- Uma modesta contribuição
[Animais Fotos | Fotos de Animais Selvagens]

One Response

  1. nsaramago says:

    Parabêns por mais uma excelente Foto e uma agradável narrativa.
    5 Estrelas! :)

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